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Perdido em Marte - Avaliação

No espaço, ninguém pode ouvir você gritar, esse era o "slogan" de Alien - O Oitavo Passageiro, um dos terrores espaciais mais aclamados pelo público e pela crítica. Alien tem pouca coisa em comum com Perdido em Marte, mas há certas semelhanças, e essas semelhanças nos permitem perceber que se trata de um filme de Ridley Scott. Talvez as duas únicas semelhanças sejam somente o fato de as tripulações dos dois filmes estarem em um planeta coletando minérios (a de Alien para lucro e a de Perdido em Marte para estudo) e o fato de o sistema ser o grande vilão do filme. É verdade que Perdido em Marte não tem propriamente um vilão, mas temos um antagonista que, por mais que se esforce para trazer Mark Watney (Matt Damon) de volta à Terra, ainda fica devendo em certos pontos. Este é talvez o ponto que mais se assemelha entre os dois longas, Ridley Scott mostrou em Alien e Prometheus que o alienígena, apesar de perigoso, não era o grande vilão do longa, e sim o sistema. Já em Perdido em Marte Scott mostra isso novamente, mas desta vez com um intensidade bem menor e com um filme de gênero totalmente diferente.


O filme se desenvolve de forma rápida até o acidente que deixa Watney no planeta vermelho e, após isso acompanhamos o botânico  em seus dias em Marte. O longa se explica bem, apesar de em alguns momentos acabar forçando essa explicação (lembrando o método de Big Bang Teory inclusive), porém o uso da física, biologia e química não fica prejudicado, Watney é o maior responsável pelas explicações e pelos usos das matérias listadas acima e se sai bem ao explicar. O filme adota um método de explicação bastante utilizado em filmes espaciais, trata-se do registro feito pelos astronautas diariamente (um exemplo deste uso vemos em Avatar), com isso o personagem pode explicar melhor aquilo que vai fazer, ou no caso, aquilo que fez ou faz.


Ao contrário do que se espera de um filme espacial de Ridley Scott, Perdido em Marte é um filme extremamente divertido e mesmo sendo contemporâneo, se utiliza de músicas antigas, algo que lembra até mesmo Guardiões da Galáxia. As piadas tem um timing muito bom e são dosadas na medida certa, não temos um vídeo totalmente sério como os de Christopher Nolan e tão pouco temos um filme brincalhão que acaba se perdendo em suas próprias piadas, como muitos por aí. A seriedade existe, a gravidade (no sentido de grave e não da força) também, mas o bom humor de Watney também está lá e o filme só ganha com isso. Diversos incidentes acabam ocorrendo com Watney e com a NASA durante o filme e com isso o desespero e a dramaticidade só aumentam. O final consegue ser sufocante e aterrorizador ao vermos Watney  à deriva no espaço, terror este que como já citei aqui, Ridley Scott sabe fazer como ninguém. Os sucessos de Watney nos contagia e suas reações são as melhores, o botânico/astronauta se mostra um homem extremamente egocêntrico e convencido, nada que estrague o personagem, muito pelo contrário, só o melhora.

Dos atores não há o que reclamar, Jessica Chastain, Sebastian Stan, Kate Mara, Michael Peña, Askel Hennie, Jeff Daniels, Sean Bean, Chiwetel Ejiofor e é claro, Matt Damon se saem bem e convencem em suas atuações. Há diversas referências à outros filme durante Perdido em Marte, dentre elas temos O Senhor dos Anéis, Homem de Ferro e é claro 2001, e a forma como são encaixadas no longa não atrapalha o desenvolvimento do mesmo. Suas quase duas horas e meia de filme não comprometem o "espetáculo", tão pouco nos cansa ou entedia. Ao final a tensão aumenta e a sensação de tudo pode e vai dar errado toma conta do longa, todos os tripulantes da nave e praticamente todos na Terra sabem que tudo tem de ser perfeito para que Watney possa voltar para casa. Outro ponto forte do filme é o visual, para rodar o longa Ridley Scott retornou ao Vale da Lua, mesmo lugar utilizado para rodar Êxodo: Deuses e Reis. A perfeição impressiona a tal ponto que será possível que se perguntem se o filme foi rodado em Marte de fato, além das cenas no Planeta Vermelho, o visual se faz necessário nas cenas externas da nave e durante o resgate de Watney.


Perdido em Marte não é um terror espacial sufocante como a maioria espera que seria, apesar de ter seus momentos de sufoco o filme se mostrou bem divertido, nos fazendo roer as unhas e rir. Ridley Scott encontrou um ótimo equilíbrio entre os gêneros e seus atores corresponderam à altura. O longa parece ter equilíbrio em praticamente tudo e consegue agradar a aqueles que gostam de ação, terror, comédia e aventura na mesma medida. Com isso "decretamos" que o espaço é definitivamente o lugar de Ridley Scott!

Nota: 9,0 (Ótimo)

Por: Gustavo Lopes
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