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O Jogo da Imitação - Avaliação

Filmes históricos normalmente contam a história de alguém, normalmente enaltecendo o personagem, transformando-o em um herói, podemos ver isso acontecendo em "Coração Valente" (Brave Heart), "A Dama de Ferro" (The Iron Lady) e tantos outros. Outro fator interessante é que normalmente os personagens são "desconhecidos" pelo público em geral (novamente podemos citar os dois exemplos anteriores), no caso de O Jogo da Imitação o personagem principal jamais seria desconhecido para mim, Alan Mathison Turing inventou o computador (também conhecido como A Máquina de Turing) e foi um dos maiores matemáticos / criptoanalista / lógico / cientista da computação de todos os tempos. O Jogo da Imitação segue o padrão dos filmes "históricos", ele enaltece a figura de Turing, mas o principal objetivo do filme parece ser levar justiça ao nome de Alan.


Como citado anteriormente Alan Turing pode não ser muito conhecido pelo público em geral, mas foi um dos mais importantes personagens da história. Turing foi talvez o maior contribuinte na derrota dos nazistas, a máquina criada por ele fez com que a Segunda Guerra Mundial fosse encurtada em 2 anos e ajudou para que a vida de 14 milhões de pessoas fosse mantida (segundo os dados mostrados no próprio filme). O Jogo da Imitação assume uma missão simples, a de mostrar a todos a história de Turing e sua máquina, história essa que segundo o filme foi mantida em segredo durante 50 anos, porém apesar de simples essa missão foi cumprida de forma espetacular. Morten Tyldum (diretor) fez um trabalho magnífico, focou apenas na história principal de Turing e não focou nas subtramas da vida do mesmo.


Das tais subtramas a mais importante talvez fosse a opção sexual de Turing (ele era homossexual), mas Tyldum tratou de deixar tal subtrama como uma subtrama mesmo, ele não abordou este assunto de forma mais incisiva, mas também não o ocultou, afinal fazia parte da vida de Turing, mas não fazia parte da história da máquina inventada por ele. Por tais características creio poder afirmar que O Jogo da Imitação não se arrisca, não polemiza e nem tenta levantar discussões, ele apenas faz o que deve fazer, faz o simples, mas o simples quando feito da forma correta pode tornar-se grandioso, e foi exatamente isso o que aconteceu com o filme.


Roteiro e direção vão bem e os atores acompanham essa "média", com exceção de Benedict Cumberbatch, o ator britânico extrapola a média e tem uma atuação brilhante, todos os "sintomas" de um gênio são retratados de forma quase perfeita pelo mesmo. Cumberbatch impressiona em diversas cenas, e em diversos diálogos. Em vários momentos somos forçados a acreditar que ele é mesmo Alan Turing, cada gesto, cada palavra, cada olhar faz com que nós nos esqueçamos que aquilo trata-se de um filme e faz com que nos envolvamos cada vez mais, adotando Turing como herói e Cumberbatch como um ator brilhante.


Se O Jogo da Imitação cometeu algum erro, confesso que ele passou desapercebido por meus olhos. O que vi foi um filme assumir a responsabilidade de contar uma história e em seguida vi o mesmo filme cumprindo com sua responsabilidade e me entregando uma das melhores histórias presentes no Oscar 2015.

Nota: 10 (Excelente)
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