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The Walking Dead - 5ª Temporada - Avaliação

O homem é produto do meio em que vive, a frase de Karl Marx nunca havia sido tão bem retratada como foi nessa 5ª temporada de The Walking Dead. A série simplesmente brincou com a percepção das pessoas sobre certo e errado, levando a todos (personagens e espectadores) um intenso e maravilhoso conflito moral. Onde termina o certo? E onde começa o errado? A resposta para essas perguntas obviamente é pessoal, já que cada um tem sua própria visão de mundo. E Walking Dead aborda exatamente isso em sua 5ª temporada, a série se encontra no linear entre o certo e errado, mas não julga, apenas lhe fornece "provas" para que você dê o veredito.


Após a destruição da prisão Rick e seu grupo estão de volta às estradas, num mundo completamente caótico e sem um sinal sequer de civilização, seja proveniente dos "walkers" ou daqueles que ainda estão vivos. Ao chegar em Terminus o grupo se sente seguro, mas logo descobrem que no apocalipse zumbi sentir-se seguro não é algo inteligente a se fazer. Sem enrolação a série começa com o "pé na porta", Terminus é tomada e vem abaixo em pouco tempo, novamente sem um lugar para se proteger o grupo põe o pé na estrada com a certeza de que a sociedade como ela era não existe mais. Na contramão desta afirmação surge a comunidade de "Alexandria", uma sociedade estabelecida e com "pessoas normais", - as quais não víamos desde "Woodbury" na terceira temporada - cada uma destas pessoas desempenhava sua função na "colmeia", seja lavando roupas, seja trabalhando na manutenção e ampliação dos muros ou em qualquer outro serviço disponível.


Então enxergamos aqui um "paradoxo", na 3ª temporada o governador diz que está "começando a inserir lógica no caos" e de repente nós vemos o caos sendo inserido na organização com a inserção de Rick e seu grupo na comunidade de Alexandria. Neste ponto voltamos à frase de Marx: Rick e seu grupo viviam no caos, enfrentavam o perigo dia após dia e dia após dia eles sobreviviam e vale lembrar que no caos sobrevive o mais forte. Já Alexandria estava de pé desde o início do cataclismo zumbi e desde sempre a ordem imperou, muros foram construídos e desde então a comunidade vive em segurança, longe do caos externo.


E é a partir daí que a nossa visão de mundo e nossos valores morais sãos postos à prova, Rick foi desde o primeiro episódio o "mocinho" da série, ele defendia os seus a qualquer custo e nós o seguíamos sem contestar, porém este "a qualquer custo" em uma sociedade pode trazer problemas... E traz. O grupo de Rick desaprendeu a viver em sociedade, agora eles se encontram em uma e não sabem como se portar na mesma e de certa forma nem mesmo aquela sociedade sabe muito bem como acolhê-los. Desta forma a série então retrata o conceito de Yin-Yang, não existe nada 100% ruim ou bom, deve-se existir mal, um mal necessário para que a comunidade possa sobreviver e é com essa catarse que a a temporada se despede.


Continuamos seguindo Rick, mas agora ele não é mais o mocinho, mas sim o vilão, e é este jogo moral que fez desta temporada uma das melhores (talvez a melhor) temporadas de The Walking Dead. Scott M. Gimple destrinchou a sociedade e nos expôs a realidade das coisas, com diálogos bem amarrados, personagens fortes e fidelidade às HQ's ele simplesmente criou uma vitrine perfeita do que é em muitos momentos a sociedade atual onde a lei que impera é a da sobrevivência.

Nota: 10 (Excelente)

Por: Gustavo Lopes

Ps: Gostaria de me desculpar com meus leitores pela demora em escrever essa avaliação, é muito difícil conciliar faculdade e o blog, e eu ainda não encontrei um formato confortável para escrever e estudar, contudo estou buscando formas de conciliar isto, no mais o Antares continuará na ativa trazendo todas as novidades desse nosso mundão nerd.
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